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Superando Barreiras Regulamentares para Liberar Inovação e Competitividade Global

A Inteligência Artificial (IA) é, sem dúvida, a tecnologia mais transformadora do nosso tempo. No entanto, a Europa está ficando para trás na corrida global para liderar essa área. Em todas as principais tecnologias disruptivas, a Europa não lidera em nenhuma. A questão é: por quê? A resposta está, em grande parte, na nossa postura diante do risco. A Europa é reconhecida justamente por produzir regulamentações de alta qualidade. Somos especialistas em antecipar riscos, proteger consumidores e priorizar a ética. Mas essa força pode se tornar uma fraqueza quando resulta em uma cultura que desencoraja a experimentação, agilidade e inovação. Regulamos antes de escalar — e isso nos torna muito menos atraentes para investimentos de longo prazo e alto impacto.
Investidores em tecnologias de ponta precisam de três coisas: clareza, estabilidade e previsibilidade. Ainda assim, grande parte do cenário regulatório europeu é ambíguo, especialmente ao lidar com riscos indefinidos ou emergentes. Essa incerteza jurídica sufoca a inovação antes mesmo de ela começar. Enquanto isso, outros atores globais avançam rapidamente. Os EUA e a China — seja por meio de empresas privadas ou de abordagens dirigidas pelo Estado — criaram condições para que seus gigantes tecnológicos prosperem. Google, Microsoft, OpenAI e Anthropic têm seus centros de inovação nos Estados Unidos. A Europa, em contrapartida, conta com apenas alguns exemplos isolados, como a Mistral na França. São promissores, mas ainda são exceções.
Esse atraso traz sérias implicações, mas a tendência não é irreversível. Com as políticas públicas adequadas — como vistos especializados para talentos em tecnologias avançadas — e aproveitando nossas fortes redes universitárias, a Europa pode se posicionar como um ecossistema altamente atraente. Especialmente agora, com a crescente incerteza global, a estabilidade política e social da Europa pode se tornar uma vantagem competitiva — se soubermos aproveitá-la.
Ainda assim, devemos ser claros: isso não se trata de “correr atrás.” A Europa nunca esteve na frente. Trata-se de definir nosso próprio caminho para o futuro. E isso significa ações ousadas e focadas em três áreas-chave: investimento estratégico em infraestrutura fundamental, incluindo a fabricação de chips para IA — as chamadas “gigafábricas de IA”; regulamentação mais inteligente, usando estruturas como os sandboxes regulatórios, que permitem experimentação controlada em tecnologias emergentes; e, mais importante, a criação de um verdadeiro mercado digital único europeu. Uma empresa fundada em Portugal deveria poder expandir suas operações por toda a UE sem enfrentar exigências de licenciamento separadas na Hungria, Estônia ou em outros países. Enquanto isso não acontecer, continuaremos em desvantagem estrutural.
Sim, o atraso da Europa em IA coloca nossos negócios e economias em risco de perder relevância no cenário global. Mas o futuro ainda não está escrito em pedra. Com coragem política, pensamento de longo prazo e ação coordenada, podemos construir um ecossistema competitivo de IA baseado nos valores europeus — e preparado para impactar o mundo. O momento de decidir é agora.