Quase três anos após o referendo da União Europeia, e perante um prazo elusivo para a saída do Reino Unido, o impacto da decisão britânica de abandonar a UE na economia é já notório. As empresas reconhecem que esta é, e continuará a ser, uma era de prolongada e elevada incerteza macroeconómica e política, afetando as operações em todo o continente.
Este caso leva-nos a uma fábrica de manufatura têxtil gerida por uma joint venture anglo-portuguesa. Como forma de mitigar os riscos do Brexit, a empresa procurou aumentar a sua produção em Portugal para facilitar o acesso ao mercado da UE.
O desafio passou por explorar o potencial de estabelecer uma parceria com uma fábrica próxima para partilhar volumes e maximizar os benefícios da estratégia de relocalização do negócio.
Utilizando o custo e a capacidade disponível como proxies do potencial da joint venture, foi realizado um mapeamento detalhado dos fluxos industriais e dos custos associados. Os resultados foram incorporados num gémeo digital detalhado da fábrica alvo.
Após ser ajustado com base num ano de encomendas anteriores, o simulador conseguiu retratar com precisão o fluxo das ordens de produção e os custos daí decorrentes, atribuindo um custo específico aos recursos humanos, químicos, utilidades e despesas gerais de cada operação.
A precisão do simulador permitiu uma estimativa fiável do impacto de novas encomendas, revelando potenciais gargalos e economias de escala.
Os resultados do simulador clarificaram quais os setores da fábrica capazes de absorver volume adicional e quais não. A utilização desigual dos diferentes setores por diferentes famílias de produtos permitiu uma seleção otimizada das ordens a subcontratar.
Além disso, o aumento do tamanho médio das encomendas levou a uma estimativa de redução dos custos unitários até 14%, dependendo da categoria de produto.
Para além das oportunidades identificadas, e acompanhadas por um conjunto de recomendações para investimento em equipamento e melhoria nas práticas de controlo de gestão, tanto o cliente como a fábrica mantêm um simulador operacional capaz de avaliar diferentes cenários futuros de procura e opções de sinergia.
Este caso afirma que a simulação é, sem dúvida, parte integrante do conjunto de ferramentas disponíveis para a due diligence, e que há valor a ser aproveitado pela indústria portuguesa num contexto geopolítico turbulento.