
Os erros mais comuns na adoção de GenAI
Porque é que as organizações que começam por perguntar “como automatizamos isto?” acabam frequentemente frustradas e o que devem perguntar em vez disso.
Isabel Sousa Pereira aponta às oportunidades que a existência de gaps de proteção apresentam. E sugere três etapas de análise de dados e IA para as aproveitar.

A proteção financeira contra riscos é hoje crítica para a resiliência das economias e das sociedades. A diferença entre os capitais seguráveis e a cobertura efetivamente contratada – o gap de proteção – é expressiva e preocupante.
De acordo com o Federação Global de Associações de Seguros, este gap atinge aproximadamente 2,8 biliões de dólares por ano (3% do PIB mundial), sendo mais acentuado em áreas com elevado impacto social e crescente exposição: pensões, ciber-risco, saúde e catástrofes naturais, onde 60% das perdas entre 2011 e 2020 não se encontravam seguradas.
Em Portugal, segundo a EIOPA, riscos naturais como tempestades, inundações, sismos ou incêndios florestais apresentam níveis de penetração de seguro notoriamente baixos, contrastando com a elevada exposição da população e das infraestruturas a estes riscos.

Paralelamente, o relatório da APS (Associação Portuguesa de Seguradores) sobre o setor segurador português de 2023 destaca uma disparidade acentuada entre os prémios per capita em Portugal e a média da União Europeia, evidenciando uma subutilização clara dos mecanismos de proteção financeira disponíveis.

Este défice representa não só um risco socioeconómico para os agregados familiares, mas também uma oportunidade estratégica para o setor segurador desenvolver soluções inovadoras e inclusivas.
Embora a resposta a riscos sistémicos exija colaboração entre seguradoras, reguladores e o Estado, o setor pode adotar uma abordagem proativa ao investir em analítica avançada e inteligência artificial (IA) para identificar segmentos com cobertura insuficiente, personalizar produtos com base em dados e simplificar os processos de subscrição. A promoção da literacia financeira e a digitalização dos canais de distribuição são igualmente cruciais para reduzir barreiras à contratação.
Fechar o gap de proteção é, simultaneamente, um imperativo social e uma alavanca de crescimento sustentável para o setor segurador.