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20/10/2025

Portugal e o Gap de Proteção: Uma oportunidade estratégica para o setor segurador

Isabel Sousa Pereira aponta às oportunidades que a existência de gaps de proteção apresentam. E sugere três etapas de análise de dados e IA para as aproveitar.

Portugal e o défice de proteção: uma oportunidade estratégica para o setor dos seguros

A proteção financeira contra riscos é hoje crítica para a resiliência das economias e das sociedades. A diferença entre os capitais seguráveis e a cobertura efetivamente contratada – o gap de proteção – é expressiva e preocupante.

Um desafio global com implicações locais

De acordo com o Federação Global de Associações de Seguros, este gap atinge aproximadamente 2,8 biliões de dólares por ano (3% do PIB mundial), sendo mais acentuado em áreas com elevado impacto social e crescente exposição: pensões, ciber-risco, saúde e catástrofes naturais, onde 60% das perdas entre 2011 e 2020 não se encontravam seguradas.

Em Portugal, segundo a EIOPA, riscos naturais como tempestades, inundações, sismos ou incêndios florestais apresentam níveis de penetração de seguro notoriamente baixos, contrastando com a elevada exposição da população e das infraestruturas a estes riscos.

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Painel de controlo para Portugal (2024)

Paralelamente, o relatório da APS (Associação Portuguesa de Seguradores)  sobre o setor segurador português de 2023 destaca uma disparidade acentuada entre os prémios per capita em Portugal e a média da União Europeia, evidenciando uma subutilização clara dos mecanismos de proteção financeira disponíveis.

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Este défice representa não só um risco socioeconómico para os agregados familiares, mas também uma oportunidade estratégica para o setor segurador desenvolver soluções inovadoras e inclusivas.

Embora a resposta a riscos sistémicos exija colaboração entre seguradoras, reguladores e o Estado, o setor pode adotar uma abordagem proativa ao investir em analítica avançada e inteligência artificial (IA) para identificar segmentos com cobertura insuficiente, personalizar produtos com base em dados e simplificar os processos de subscrição. A promoção da literacia financeira e a digitalização dos canais de distribuição são igualmente cruciais para reduzir barreiras à contratação.

Fechar o gap de proteção é, simultaneamente, um imperativo social e uma alavanca de crescimento sustentável para o setor segurador.

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